Literatura cearense
"Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais
negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O
favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no
bosque como seu hálito perfumado."
Iracema, obra de José de Alencar.
Uma descrição romântica como esta só poderia sair da mente de um
mestre da literatura nacional: José de Alencar. Ele e sua obra Iracema
são a prova máxima da importância da literatura cearense no cenário
nacional. Nascido em 1829, Alencar escreveu livros de extrema
importância na literatura brasileira, como O Guarani, Cinco Minutos, e
Senhora.
Em Fortaleza há equipamentos turísticos em homenagem a esse mestre
do Romantismo. O Theatro José de Alencar é um exemplo, além da casa
onde o autor morou em Messejana, bairro da Capital. No Naturalismo, por
exemplo, os grandes nomes são Oliveira Paiva (Dona Guidinha do Poço) e
Domingos Olímpio (Luzia-homem). Modernistas como Rachel de Queiroz (O
Quinze) mostraram a força do regionalismo em suas obras. Em Quixadá, os
visitantes podem conferir equipamentos turísticos em homenagem à
autora.
Em Fortaleza, no começo do século passado, intelectuais indignados
com a morosidade literária no Estado formaram a Padaria Espiritual,
movimento precursor das academias brasileiras de letras. De acordo com
o estatuto, a Padaria é "uma sociedade de rapazes de Letras e Artes
cujo fim é fornecer pão de espírito aos sócios em particular, e aos
povos, em geral".
A região do Cariri é exemplo na Literatura Popular, mantendo a
antiga tradição de expor histórias em cordas e desenhar a capa em
xilogravura. Patativa do Assaré é o mestre maior dessa manifestação
popular. O poeta foi ouvido pelo povo e por doutores, o que lhe
garantiu títulos acadêmicos inclusive em universidades francesas. Em
Assaré, o memorial de Patativa conta a história do mestre.




